1/2/2010
Com o pé no freio, gravadoras procuram novos modelos para o negócio da música
RIO - Os números divulgados na semana passada, em Londres, pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI na sigla em inglês), são dramáticos: entre 2004 e 2008, o mercado de disco no Brasil teve queda de 80%. Uma das consequências dessa crise é o menor investimento na produção de música brasileira por parte das gravadoras multinacionais aqui instaladas, que, juntas com a Som Livre, integram a Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD) e ainda responderiam por 80% do mercado brasileiro.
No entanto, correndo por fora, selos independentes ou artistas - muitos organizados na Associação Brasileira da Música Independente (ABMI), com 113 afiliados, continuam produzindo e lançando. Ainda aguardando o fechamento dos números de 2009, o diretor executivo da ABMI, Jose Celso Guida, estima em cerca de 800 títulos nacionais editados. A Biscoito Fino, sozinha, por exemplo, no ano passado, botou 98 títulos no mercado, mais que a soma das quatro multinacionais, EMI, Sony, Universal e Warner, lançaram no mesmo período.
Em bom português, as grandes botaram o pé no freio. Mas, segundo os executivos do meio ouvidos pelo GLOBO, o pior passou, e o momento é de encontrar novos modelos para a música, que não parou. Marcelo Castello Branco, presidente da EMI (também responsável pela companhia na América do Sul e Central), garante que a fase negativa é passado. Entre seus argumentos, está o lançamento de 31 artistas brasileiros em 2009: 19 deles gravados pela própria EMI, sete licenciados (com a empresa assumindo o marketing) e cinco apenas com contratos de distribuição.
- Continuamos arriscando, apesar de sermos mais seletivos. E a música brasileira ainda representa 70% de nosso negócio. Aprendemos a conviver com os problemas e estamos mais proativos - assegura Castello Branco, que também diz que mesmo com o crescimento da venda digital, principalmente para celulares, o produto físico, CD ou DVD, ainda é o que move o setor.
Isenção de impostos para CD não veio
Desde 2008 líder no mercado brasileiro, a Sony Music, segundo seu presidente, Alexandre Schiavo, ainda banca 90% das produções nacionais que lança.
- Cada vez mais, artistas chegam com discos gravados; gente como Roberto Carlos, Jota Quest e Skank, por exemplo, têm seus estúdios. Mas, na maioria dos casos, pagamos os custos dessas produções. E, quando isso não acontece, o que investimos em marketing ainda é muito mais alto do que a gravação em si - diz Schiavo, que lançou apenas 13 títulos novos brasileiros no ano passado. - Sim, estamos investindo menos, mas tivemos lucros nos dois últimos anos. Após perdas seguidas, fizemos o enxugamento necessário.
Matéria na íntegra: http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2010/01/29/com-pe-no-freio-gravadoras-procuram-novos-modelos-para-negocio-da-musica-915734730.asp